E lá estava ele, estatelado no chão, coberto do seu sangue e rodeado de centenas de homens mortos. O seu companheiro correu em seu auxílio, ele ainda respirava, mas, sentindo a morte tão perto, mete a mão ao bolso da camisa, arranca o botão e tira um medalhão de oiro, entregando-o ao seu parceiro, dizendo: “Diz-lhe o quanto a amo e, com isto, prova-lhe que era nela em quem estava a pensar, quando dei o meu ultimo sopro. Diz-lhe, por favor, que… a… amo…!” e dito isto , com o olhar aflito do seu parceiro, foi-se, os seus olhos azuis escuros dilataram, ditando o seu fim.
Uma semana depois, o ‘parceiro’ vai a casa dela, vestindo trajes de luto e transportando um envelope amarelo na sua mão. Toca à campainha, ela abre e deixa-o entrar sem reparar nos pequenos detalhes, ele senta-se e olha para ela:
-Ele: Estiveste a chorar…
-Ela: Estou anceosa pelo seu regresso… - por breves momentos ela pára, olhando para o seu olhar sereno e para as mãos dele – Não… Não é possível, naaaao… - Ela chora desalmadamente, num choro profundo, num choro de amor, um amor perdido, para sempre… ele abraça-a e dá-lhe o medalhão, citando as palavras dele, ela abre a peça de oiro, fica surpresa ao deparar-se com a sua fotografia, a preto e branco, a mais bonita, a do seu casamento.
Quando ele se vai embora, ela vai para o seu quarto, olha-se no espelho do seu toucador, aperta a fotografia do seu amado contra o seu peito. Ela toca no lado vazio da cama e olha pela janela do seu quarto, esperando a sua chegada. Ela cai em si e desmaia no desespero de uma mulher viúva, com apenas vinte anos, carregando no seu ventre o fruto do seu amor com um soldado de frente de guerra.
Christelle.
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